sábado, maio 02, 2009
Sweet Suellen
Hoje, Sweet Suellen está com 17 anos e suas bolas de gude azul celeste ainda brilham tanto quanto seu sorriso. Já não se pinta, nem confunde amigos com amantes. Continua, porém, a mesma criaturinha rara e amável, que pensa ser uma criaturinha comum.
sexta-feira, novembro 07, 2008
A modernidade

Os computadores e celulares trouxeram consigo os benefícios, mas também, os malefícios.
Nos tornamos seres mais individualistas, mas que "amamos" a todos, por isso deixamos nossas páginas repletas de recadinhos, de fotos, e adicionamos como amigos aquele a quem nunca vimos.
Fazemos parte de grupos, mas é sozinho que ficamos do outro lado da tela por horas a fio, porque temos muitos amigos com quem trocar mensagens. Ao desligar o computador, o sol já se foi, e todos os que chamamos amigos não foram vistos, ouvidos ou tocados.
Não há necessidade de se preocupar com isso, já que os mais íntimos estarão apenas a um toque de celular distante.
Enquanto isso, nos divertimos batendo fotos e fotos. Fazemos questão da pose básica -antigamente banida pelo desperdício de dinheiro - aquela na qual se fica diante de um espelho e você aparece, magnânimo e poderoso, registrando sozinho sua imagem narcisista.
Assim, temos tudo o que queremos ao nosso redor: a tecnologia e os amigos para todas as horas.
Sinto, porém, por termos perdido o velho hábito de fazer visitas, de sentar para um café, de tomar um sol enquanto se caminha conversando.
A modernidade nos possibiltou um milhão de amigos, mas também, horas de solidão.
segunda-feira, março 24, 2008
A máquina de costura

Bordei alguns pontos diferentes, com os quais não senti muita afinidade e os deixei um pouco de lado. Acresci a delicadeza do crochê a um trabalho e outro, brinquei com agulhas de tricô.
Demorei um bocado, mas dei-me conta finalmente que para um trabalho com mais esmero seria necessário um pouco de sofisticação. Olhei para um lado e outro e do lado de dentro da vitrine estava ela a zigue-zaguear meu coração. Atração fatal e amor para a vida inteira. O manual, porém, muito complexo.
Ainda assim, enfrentei, afinal, não poderia ser tão difícil. “Sorte de principiante”, diriam logo que vissem meu primeiro trabalho. Contudo, com apenas uma bainha mais ou menos reta não há senão panos-de-louça.
E não me dei por satisfeita. Aprendi a trocar as agulhas, a linha da lançadeira, a aplicar o zigue-zague. Investi em matéria-prima: comprei tecidos, moldes, tesoura e fita métrica. Medi, calculei, cortei. Fiz o zigue-zague para o tecido não desfiar, juntei as partes, deixei a tal bainha impecável.
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Enfim, acordada
Foram alguns longos meses de sono profundo,
As palavras foram ditas, repetidas e escritas,
Dei-me por conta que não posso ser mais eu,
Quero estar como as pedras da praia,
Em uma nova era, serei mais que palavras:
sexta-feira, agosto 17, 2007
As vozes
A voz ativa dizia que era tempo de fazer uma análise,
Sintática , morfológica, que fosse ela
Mas enfim, uma análise.
Pensei naquele pronome possessivo,
Na inferioridade, na superioridade,
Na igualdade,
E também, nas flexões,
nos adjetivos que perseguiam
minhas noites inquietas.
E minha voz, reflexiva, não cessava perguntar,
Entre numerais,
Cardinais ou ordinais,
Qual deles deveria, em meu infinitivo, escolher?
Tudo era o demonstrativo
De que tudo estava indefinido.
Neste tempo simples,
Meu retrato é defectivo,
Falta nele uma conjugação,
Ou algumas quem sabe.
Quiçá sou apenas uma radical,
Perdida em uma gramática qualquer,
Esquecida em uma prateleira empoeirada.
quinta-feira, julho 26, 2007
Meu jeito Amélia de ser

Caminham os anos em passos largos e a cada banho que tomo, deixo mais exposto meu jeito Amélia de ser, enfrentando os olhares de quem acha que ter uma vida mais doméstica é antiquado.
Já pensei assim também e por isso não reprimo. Ao invés disso, ocupo minha cabeça com preocupações financeiras do que e como adquirir o que ainda falta para trazer mais aconchego ao meu habitat.
No supermercado, o tempo é curto para as compras e eu nem sei onde fica a seção fast food. Tenho um caderno de receitas simples, que uso como convite aos amigos.
Além disso, sempre arrumo a cama antes de sair de casa e as toalhas de louça com barrados de crochê são passadas antes do uso.
Ser Amélia me faz muito feliz!
quarta-feira, julho 25, 2007
As canecas de todos os dias

terça-feira, julho 24, 2007
Como a maioria...

Assim, passei a questionar a existência de um amor que sobrevivesse às rugas, aos cabelos brancos, ao mau humor e pouco dinheiro. Como a maioria das pessoas, busquei provas de que tal amor é impossível e como a minoria delas fiquei surpresa ao deparar-me com casais de óculos, com pouco ou sem cabelo algum, gorduras localizadas, pele flácida, de mãos dadas, sorrindo felizes, apenas por terem um ao outro como cúmplices.
Quisera que a minoria dos amores-para-sempre se transformasse, um dia, na maioria!
segunda-feira, julho 23, 2007
Amargamente independente

Entre alguns grandes prazeres da vida, tomar vagarosamente uma xícara de café é um deles. Às vezes, mais de uma, dependendo da companhia. No entanto, café é um veneno para minha voz, da qual uso e abuso, enquanto eu teimar em lecionar. Tratei comigo mesma que me renderia aos apelos do cheiro e do gosto somente aos fins de semana, como uma técnica de relaxamento.
Sobrevivi. Sinto vontade e saudade, mas deixou de ser essencial no momento que eu decidi. Os outros prazerosos venenos da vida continuam e serão mantidos até que eu decida não precisar mais deles.
Triste. Infinitamente triste. Saber que posso ser sozinha, que coloco ou não meu nariz em qualquer lugar, que não devo avisar quando tranco a porta pelo lado de fora, que de manhã eu não tenho que levantar e preparar o café da manhã para alguém.
É o mundo moderno, frio, apavorante.
domingo, julho 22, 2007
Amor moderno

Uma vontade de agradar ao outro, fazê-lo feliz, completo. A visão de uma longa estrada sinuosa percorrida ao mesmo tempo por mais de uma pessoa. Isso é amor.
Todavia, nossa constante capacidade de criação inventou o amor moderno: apaixonante, embora friamente simples de se destruir. Apresentação, entrega, convívio, início e fim dos problemas. São essas as etapas do amor moderno, no qual todos amam muito a todos, mas ninguém ama ninguém realmente.
No primeiro obstáculo a ser vencido, esse amor não passa na prova e pronto, quando na verdade, então deveria ramificar-se de fato e tornar-se cada vez mais forte e profundo.
Compartilhando
Lágrimas correm pelos olhos e dos olhos, ofegantes, sem dizer por que vieram ou para onde vão. Aquele sorriso trêmulo, tanto intimidado quanto intimidante, não tem muita certeza do que fazer no momento de sua estréia, então fica ali mesmo, sem um papel certo, entretendo a audiência, que deveria apenas ouvir, mas que vê, que fita os personagens nos olhos e aguarda inquieta por uma ação, um gesto de bravura e coragem. Uma palavra confusa e cambaleante que sai arrastando os pensamentos pelos cabelos, sem dar-lhes ao menos tempo para que se organizem.
Uma orquestra que toca sem um maestro uma sinfonia singularmente inédita, uma melodia de se guardar na memória mas jamais de se transformar em partitura, para que continue sendo única, inigualável.
Comunicar-se é fazer teatro, escolher um palco sem cobrar ingressos e atuar como nunca. Perceber a platéia vibrar a cada minuto. Usar umas palavras ou outras quando preciso, mas quase nunca é. Comunicar-se em palavras é como assistir a filmes dublados: percebe-se a história, entende-se, mas não se compreende, porque não cabe na palavra o que se sente. O que se sente flui nas veias e só jorrando sangue para todos os lados seria possível contaminar a todos.
Compartilharíamos, assim, tudo. Mas em palavras, dividimos apenas, não compartilhamos.
sábado, julho 21, 2007
Seja você mesmo enquanto dorme!

quinta-feira, julho 19, 2007
No fundo, você sabe

segunda-feira, julho 16, 2007
Vivendo um Rascunho

Acidentalmente, hoje remexi em uns arquivos antigos no meu computador e encontrei um com o título “rascunho”. Era o relato do meu aniversário de 26 anos, o qual comemorei antecipadamente em família e ao final do encontro me senti como se tivesse querido adiantar o relógio pela incerteza de nem estar aqui no dia certo. Não cheguei a reler o que escrevi, até porque nunca cheguei a terminar a história, mas me deu clique na hora.
Quero que meus leitores tenham vasto trabalho ao estudar minha obra de vida e que se vejam em encruzilhadas ao ler meus pensamentos, não por serem difíceis, mas por conterem em si possibilidades diversas. Deixarei minha obra mais rica: um rascunho do que sou com tudo de bom e de ruim, pois o que é perfeito jamais foi visto, embora tenha se ouvido falar.
terça-feira, junho 12, 2007
Dia dos Namorados

O apelo comercial é grande, mas será que do alto de nosso egoísmo exagerado, seríamos capazes de dedicar um dia entre trezentos e tantos outros, à alguém que nos é importante, sem ter lido sequer uma propaganda de promoção no caminho que fazemos diariamente?
Infelizmente, acredito ser mínimo o número daqueles que, ao deitar a cabeça no travesseiro, fazem um replay de seu dia e se sentem felizes a ponto de agradecer seja lá a quem for pela dádiva de poder compartilhar sua vida, ao invés de transformá-la em um monólogo.
Mesmo assim, quando compartilhamos o que temos, muitas vezes nos sentimos frustrados por não encontrar no outro a perfeição que pensamos refletir tão claramente. Pois, em um dia como hoje, deveríamos antes de mais nada, avaliar nossa conduta para saber se somos dignos do carinho recebido e, caso o parecer não seja positivo, encarar uma forte mudança e refletir um pouco sobre a felicidade daquele que nos acompanha.
Deveríamos estabelecer como meta um melhor Dia dos Namorados no próximo ano e começar, desde já, a fazer o outro feliz, para que finalmente todos os “eu-te-amos” alcancem o sentido real de serem ditos.
Feliz Dia dos Namorados!
domingo, maio 27, 2007
O tilintar das palavras e moedas

Senti-me imóvel diante de quadris tão balançantes ao som de palavras que desconheço. Pensei no pouco que sei sobre a cultura árabe, no quanto as mulheres são desprezadas e no entanto, são também um símbolo de poder. Não sorriem muito, não dirigem a palavra a um homem olhando-o nos olhos, não mostram seus cabelos para outro que não seja seu esposo. Simbolizam o poder econômico de quem as vende, compra e coleciona.
As mulheres árabes são ensinadas desde cedo a serem submissas e agradar a quem lhes têm. Agradam aos seus donos com seus dotes domésticos, religiosos e corporais, que são vistos por entre véus coloridos e cultuam suas formas físicas no intuito de mostrar estão prontas para gerar outras vidas.
Eu, imóvel, de quadris duros e movimentos descoordenados, me vi entre elas, fazendo de meus pensamentos os véus que balançavam, minhas palavras tilintando como as moedas e miçangas em seus cinturões e minhas idéias eram a música ritmando cada passo. Me libertei. Vi o colorido se dissipando em emoções.
Entendi que enquanto algumas dançam, outras escrevem e se expressam da mesma maneira. Mostram sua verdadeira arma de conquista, como sentem o mundo e como desejam ser sentidas.
Em meu jeito árabe de ser, também faço questão de agradar de todas as formas a quem me ama, porém é preciso lhe olhar nos olhos e usar a submissão apenas como fetiche. Quero ser comprada com beijos incessantes e poder balançar meus cabelos enquanto caminho, mostrando a todos meu riso de felicidade e alguém que deseje tanto quanto eu os filhos que posso gerar.
Estar sempre entre meus véus, tilintando minhas moedas e atraindo quem se encante com os meus quadris, é minha forma sutil de performar uma dança do ventre e só quem tem um certo talento é capaz de reconhecer e apreciar.
Notícias amanhecidas

É bom ter como hábito diário a leitura de um jornal. Estar bem informado pode fazer diferença até mesmo naquela conversinha básica de ponto de ônibus, que fica menos sem graça se não for sobre o tempo nem sobre o atraso dos ônibus. Pode se falar da última separação ou casamento entre artistas, sobre política, economia, filmes novos no cinema e até mesmo sobre a seção de comentários do leitor. As opções são muitas.
Ainda assim, é de causar indignação a quantidade e freqüência de erros ortográficos e de informação. Outro dia, um colunista disse que “os PMs não houvem rádio”. Nomes, cidades de origem, datas e até a coluna de aniversariantes apresentam erros, pois foi mesmo fotos com as respectivas mensagens de aniversários são trocadas. É fácil manter o raciocínio de que tudo acontece muito rápido em um jornal e que algo escape, porém, é sábio relembrar a frase popular que afirma que quem faz mal feito, faz duas vezes. Algumas das correções são feitas nas edições seguintes e outras passam despercebidamente.
Fica no ar a dúvida quanto a qualidade dos profissionais que aparentemente apenas correm os olhos por onde se fixarão os olhares dos leitores. Não dar devida atenção no que se faz é também menosprezar o tempo, a inteligência e a atenção de quem lê. Conclui-se que talvez a melhor maneira de manter-se bem informado seja ler o jornal de terça para saber as notícias de segunda, que já terá as esperadas correções...
sexta-feira, maio 25, 2007
Reciclar é preciso

“Se for para ser lixo, que seja reciclável”, foi o que lhe respondi. Poderia ter lhe sugerido ser um lixo orgânico, mas não achei que vê-la coberta de terra servindo como adubo seria propício a alguém que ainda tem tanto o que fazer.
Esse alguém ainda há de quebrar-se em muitos cacos, há de se deixar amassar pelas pedras que estão pelo caminho. Esse alguém há de guardar muitas informações, muitas lembranças, muitas palavras que irão borrar com a chuva. Esse alguém há de perdurar por anos e anos antes de retornar à natureza...
Vidro, alumínio, papel, plástico.
Faça a sua parte, recicle!
segunda-feira, abril 02, 2007
Pode conhecimento ser demais?
A Língua Portuguesa, assim como muitas outras, deriva do Latim. Obviamente, desdes os tempos antigos, ela tem sofrido alterações, o que a caracteriza, hoje, como uma língua harmoniosa e repleta de riquezas, influenciada por diversos fatores.