segunda-feira, abril 23, 2018


Caramba!

Pisquei e lá se foram anos! O Orkut não existe mais, o Facebook bombou, apareceram o Twitter, o Whats,  o Tinder!!! E minha cidade até tem Uber!!! Quantas mudanças!


Sinto-me como se escrever fosse algo dificílimo. Não era. Agora, já não sei...


Estive lendo algumas das postagens nos últimos dias, desde que me chamaram a atenção por não atualizar a minha vida online. Fiquei um pouco envergonhada de algumas das coisas que compartilhei aqui. Posso dizer que talvez eu tenha evoluído ou é a bendita maturidade quem tem me feito companhia.

Agora eu tenho 38 anos, fios de cabelo branco escondidos em um ruivo bem artificial, daqueles de combinar com o batom. Estou casada. Sou mãe de um menino de 3 anos e meio com carinha de anjo. Estou no mesmo emprego, no mesmo endereço, com o mesmo número de celular...


Nos últimos anos, dediquei-me a quem eu amo. Deixei de lado um tanto da minha vaidade, nada de esmaltes, pouca maquiagem, nenhuma preocupação séria com meu visual. Deixei de lado as coisas que me traziam prazer, como ler um bom livro, ver filmes, escrever, bordar, tentar algum prato novo na cozinha, fazer artesanato. Meu único lazer nesse tempo foi me afundar em chocolate, todo santo dia. No dia que não era santo também. Sair de casa ficou um pouco desconfortável, afinal, que criança de 2 anos fica quieta numa cadeira enquanto os pais apreciam uma cervejinha? Simplesmente não dava.

Agora, pouco a pouco, tenho retomado um pouco do que eu fui. Ainda não conseguimos sair juntos com frequência, por falta de ter com quem deixar nosso filho, mas de vez em quando consigo escapar pra encontrar algumas amigas e isso me faz um bem danado. Voltei a fazer minhas unhas, tenho tentado usar maquiagem diariamente, voltei a usar saias e estou ensaiando sapatos de salto outra vez.  Tem me feito bem me sentir um pouco mais feminina, mesmo que a partir das 16h de todos os dias eu entro no ‘modo mãe’ ao buscar meu anjinho na escolinha.


Ser mãe é a melhor coisa do mundo! Também, é a mais desafiadora.
Espero voltar logo aqui e falar um pouco mais da vida. Escrever é sempre uma terapia, e enre tantas coisas, é algo que hoje eu preciso muito.

quarta-feira, setembro 10, 2014

As voltas do mundo na minha última década


Dez de setembro. O ano? 2014. Há dez anos eu estava nos EUA, de favor na casa de uma amiga por uns dias. Tinha terminado um relacionamento daqueles tipo iô-iô que em toda a sua bagunça durou cerca de 9 anos. Estava me despedindo dos meus lugares favoritos em Boston, comprando livros na Harvard Cooper para continuar a ler em inglês aqui no Brasil, me encontrando com as pessoas mais especiais que eu tive oportunidade de conhecer durante o período por lá. O retorno ao Brasil estava marcado para 15/09/04.
Passou uma década. Meu cabelo cresceu e quase não teve alteração química na coloração de lá pra cá. Meu peso tornou a baixar quando cheguei e depois aumentou para o meu período mais cheinha dos EUA: 52kg. Pelo menos acima de 50kg eu posso ser doadora de sangue! Tive alguns empregos, mas me estabeleci como professora de inglês e sou bem feliz no meu emprego, embora um maior reconhecimento financeiro não me fizesse mal algum... 

Comecei e terminei um curso superior e nele encontrei amigas que estou certa de que estarão presente por muito tempo na minha vida. Desfiz laços que tinha com algumas pessoas porque já não havia carinho e atenção que se sobressaíssem à correria de todo dia. Conheci alguns rapazes legais com quem me relacionei, e entre eles, arranjei um namorado, que na mesma semana se tornou namorido, depois noivo, depois marido e é um dos motivos pro meu sorriso de quando abro os olhos todas as manhãs. Tornei-me mãe da cachorrinha mais doce que encontrei, a Lolita. Paguei por ela com o cartão de crédito e hoje sou contra o comércio de animais, após tomar ciência de como funciona a maior parte dos canis. Resgatei bichos de rua, ajudei outras pessoas a fazer isso também. Iniciei e terminei um curso técnico. Passei em concurso para lecionar na rede pública e após três meses pedi a exoneração.

Minhas varizes nas pernas tornaram-se mais evidentes, a ponto de eu procurar um profissional para reduzi-las. Os fios de cabelo branco tornam-se mais evidentes a cada mês. Deixei de fazer as unhas no salão para economizar e reduzir qualquer risco de adquirir uma pereba por ferramentas que não foram bem esterilizadas. Com isso, tornei-me uma manicure melhor, embora esteja longe da perfeição. Mudei minha alimentação:  prefiro alimentos integrais na maioria das vezes, aprendi a comer chocolate amargo, passei a comer muito mais frutas e saladas. Ainda não tenho uma panela de pressão porque acho ‘perigoso’ para alguém que sempre viu a mãe limpando o feijão na parede da cozinha. Passei a usar flúor todas as noites após ter investindo alguns mil reais com aparelho para corrigir a dentição. Deixei de ter a conta bancária negativa e passei a controlar os gastos da família numa planilha de Excel e dessa forma pagamos nosso próprio casamento, viajamos para a Europa, trocamos de carro, fizemos algumas viagens por aqui mesmo, reduzi minha carga horária no trabalho e quitamos nosso apartamento.  Mas também, perdi o hábito de comprar uma roupa nova só porque ela pareceu lindíssima na vitrine. Parei de andar com dinheiro na carteira e passei a usar o cartão de crédito pra tudo, facilitando meu controle próprio e acumulando milhas para as próximas viagens.

Tratei uma enxaqueca horrorosa, que segundo o médico, foi o meio do meu corpo me contar que eu estava afetivamente carente.  Tive a pior crise de asma da vida, que por pouco não me levou embora daqui. Pensei que estava próxima do que conhecem por ‘fim’. Desde então, mantenho consultas regulares para avaliar o funcionamento dos meus pulmões. Mantive a mesma ginecologista. Troquei de oftalmologista e descobri um início de catarata no olho esquerdo aos 33 anos. Operei o pulso esquerdo. Fui várias vezes ao dermatologista e nem foi para aplicar botox! Precisei de consultas com especialistas em infertilidade e fui consultada por três profissionais diferentes. Fui diagnosticada com menopausa precoce e todo o meu teto caiu. Parei na psicóloga...

Mas hoje, 10 de setembro, é uma data que me faz refletir se estarei ou não trabalhando no meu horário regular em 30 dias. O nascimento do meu bebê está se aproximando! Ele veio de forma natural, embora eu estivesse sendo consultada por profissionais, e até então, mostrou-se perfeitamente saudável. 

Meu grande objetivo de vida está prestes a se realizar. Uma mudança pra sempre.E como estaremos nós todos em 10 de setembro de 2024?

quarta-feira, agosto 17, 2011

Escrever o que os outros querem ler: o desafio


Sempre tive vontade de escrever profissionalmente, desde que era uma molequinha encardida e desdentada lá em Foz do Iguaçu. Cresci (um pouco), ‘ganhei’ novos dentes e me tornei mais limpinha, mas ainda tenho vontade de escrever. E escrevo de vez em quando. Fico triste porque não recebo para isso. Acho tudo uma grande mentira quando dizem que ‘não importa, pois faço o que gosto’. Trabalho como professora de inglês e é isso o que paga as minhas contas, com a ajuda do salário do marido, claro. Mas quero poder pagar contas (sem a ajuda do marido)  com aquilo que escrevo!

Logo, estou procurando uma receita.

Quando eu ainda era criança e minha cama era um sofá-cama que eu dividia com minha irmã do meio, às vezes eu ficava olhando as teias de aranha na mata-junta da parede. Um pouco além das teias, mais para o alto, havia uma prateleira de ferro, feita por meu pai, que é serralheiro. Entre os livros empoeirados sobre a prateleira havia um que me chamava mais a atenção: ‘Como fazer amigos e influenciar pessoas’, de Dale Carnegie.

Eu deitava de costas, com os braços cruzados embaixo da cabeça, olhando a poeira cintilante que entrava pelas frestas da janela cada vez que o ônibus passava, e ele passava bem na frente da minha casa. Era a poeira e o livro. Não era à toa que eu vivia espirrando! Dale Carnegie escreveu sobre auto-ajuda numa época que não se falava em auto-ajuda. Muito provavelmente, essa nomenclatura nem existia ainda. Várias vezes peguei o livro na mão, espirrei (!) e o coloquei de novo na estante. Parecia ser um livro chato, velho e fedido. Sei que li o livro na adolescência, e já não lembro o que li, mas o que importa agora é que ele tinha uma receita.

Agora, eu quero uma receita dessas. Uma receita que me ajude a escrever algo que as pessoas sintam vontade de ler! Paulo Coelho escreveu. Augusto Cury escreveu. William Bonner escreveu. Richard Amante escreveu. Bruna Surfistinha deu e escreveu!

Eu também quero!!!

quarta-feira, julho 13, 2011

O egoísmo também leva à morte

Às segundas-feiras, como de costume, folheio a revista Veja enquanto como alguma coisa e converso sobre os assuntos do dia com meu marido. A Veja dessa semana traz a reportagem de uma mulher que contratou seu próprio assassino. A leitura foi bem rápida e por isso não tenho muitos detalhes a contar, mas a mulher era depressiva, tinha baixa auto-estima (que diminuiu ainda mais ao descobrir, já adulta, que era adotada), havia se divorciado há alguns poucos anos e tentou, sem sucesso, mais de uma vez conhecer pessoas através do mundo virtual.

Embora fosse descontente e infeliz, admirei-a pela escolha de não ter filhos, embora eu ache que muitas mulheres encontram a felicidade que tanto buscam na maternidade. Ela optou não ter sido mãe, ciente de sua condição psicológica. Outras mulheres, porém, na tentativa de manter ou encontrar algo que julgam merecer não raro encontram frustrações nas exigências do que é definitivamente ser mãe.

À parte disso, a personagem central da história foi extremamente egoísta, como são, ao meu ver, a maioria dos suicidas. No entanto, essa mulher sequer foi suicida porque procurou alguém que pudesse receber a culpa pelo seu assassinato, mesmo tendo esclarecido em um bilhete que morrer foi uma decisão sua.

Morremos todos, um dia. Os mais ansiosos, mais frustrados e menos pacientes insistem em encontrar meios de partir mais cedo, não demonstrando forte apreço pelos que ficam para verter as lágrimas. É o egoísmo e a falta de confiança em si próprio que culminam em tamanho desespero e sentimento de que já não há saída, não há solução além do escuro silêncio sem fim. Alguém que prefere a morte à chance de viver e recomeçar descarta com facilidade tudo o que se viveu até então, toda a dor que seus familiares ou amigos sentiram por vê-lo debater-se em meio a desilusões e fracassos.

Esquecem eles, os suicidas, que todos, um dia, se sentem fracassados e não veem luz no fim do túnel. Porém, vive-se de fases. Há dias bons, dias ruins, dias péssimos e há instantes que compensam toda e qualquer falha que encontramos. Isso é vida.

quarta-feira, julho 06, 2011

Today's challenge

 Oh, well, how to start? By the beginning, I’d say…
So, the beginning is that I’ve just “repaired” my blog and because of it, I’ve been a little more enthusiastic about putting my thoughts into words.

This afternoon I was talking to my friend Camila, at work. She’s always got a book with her, she always knows about the latest and most viewed videos on youtube, she’s always making references to classics she’s read or movies she’s seen. By the way, she goes to the movies basically every weekend (and I wouldn’t say that the price of movies here in Brazil are cheap…). Anyway, she is dedicating some of her iddle time to read one or other post of mine and this is what we were talking about today.

Camila said she admired the way I am able to communicate my thoughts in a manner that people can see and feel what I am talking about. Of course I thought she was only trying to be nice to me. Writing is not an easy task. For anyone.

Writing requires time, creativity, inspiration, vocabulary, reading, rereading and rewriting. A text is never done. Every person that takes the time to read their text over and over will find things to change or better ways of saying something. Clarice Lispector said in one of her books that whenever she read a text of hers and found something baddly written or just odd, she would take the liberty to rewrite it and have it published differently the next edition. If I were a professional writer, I guess I wouldn’t do it though.

Back to the subject, Camila’s confessed that she isn’t a good writer, which I deeply doubt. How can a person with such knowledge not be able to express their feelings? As I said this to her, she opened a book in front of me and started reading something. The book was in English and all I remember from what she read goes like “writing is difficult because words diminish the feelings”. Beautifully written, I thought. I gave my opinion, she gave hers and I left work. On my way to the school where I take French classes, I kept thinking on our talking.

Feelings are indeed hard to be transformed in words, but mostly, because the words we know will never be as great, deep and broad as our emotions. An emotion cannot fit in the shape of letters with the same intensity, for the intensity of what is experienced by each one of us in infinite. The same happens with languages. When we don’t have full control of a language (usually what happens when we speak a foreign language), we may feel frustrated if even applying the right words in the right context, our speech seems to be contentless, just empty. 

So, I thought of experimenting my writing in English once, since it is my foreign language and I never have the need of writing to anybody in English. As a teacher of English in Brazil, what I normally do is try and correct my students’ writings, not my own.

Then, I guess this would be better written in my mother tongue, but I  had to challenge myself on trying to fill up words with my simple thoughts…

Os últimos 5 anos da minha vida resumidos

Há pouco mais de cinco anos iniciei este blog. Durante algum tempo escrever para ninguém (sempre acho que ninguém deixa de fazer qualquer outra coisa para ler o que escrevo) foi o que me manteve sã, sozinha, sem quase nada do salário recebido no bolso, sem namorado e com quase nenhum amigo. Foi uma época bem difícil para mim, de muitas mudanças.


Com o passar do tempo, viver em Blumenau e me habituar ao cotidiano daqui tornou-se algo mais fácil de se fazer e conforme isso foi acontecendo, passei a fazer alguns planos, passei a sorrir mais e a me envolver com mais pessoas. Com tanta coisa, acabou que escrever para um blog perdido entre milhares foi ficando para trás e quando me dei conta, a pessoa que falava nos escritos do blog nem era mais eu...

Eis que essa semana eu gastei alguns minutos fuçando no arquivo e fiquei surpresa com o que li, quanta coisa mudou!!!

Durante esse tempo longe da tela do computador, eu iniciei e terminei um curso de graduação, eu me apaixonei e chorei pitangas pelos ex diversas vezes até encontrar um que insistisse em me querer... Casei com ele após quatro longos anos de relacionamento! Só para constar, o casamento foi lindo e emocionante, um dia falo dele. Deixei a idéia fixa de ser mãe o quanto antes e arrumei uma cachorrinha (a Lolita) para despejar todo aquele amor que eu tinha guardado. Consegui colocar mais móveis dentro do apartamento e a pintura da parede entre a sala e a cozinha em laranja (que aconteceu em 2006!) ainda está bem feliz. Perdi uma amiga por H1N1. Doei muitas roupas que já não usava, doei livros, iniciei um curso de espanhol e o abandonei logo depois, tentei aprender polonês sozinha (por vários meses) e adiei a idéia para mais tarde. Aprendi a me alimentar de forma diferente, provei muitas comidas que antes me faziam torcer o nariz, mas ainda não consigo comer peixe ou frutos do mar. Aprimorei meus conhecimentos de culinária e agora, além do sal e da pimenta-do-reino, também tempero minha comida com gengibre, pimenta calabresa, cominho e páprica picante... Senti muita pena de quem sofreu na grande tragédia de 2008 em Blumenau. Frequentei uma academia por algum tempo, fiz mechas no cabelo, fiquei loira, cortei o cabelo curtíssimo e o deixei crescer depois. Aumentei 7kg desde o final da faculdade. Conheci Buenos Aires na minha lua-de-mel. Aprendi a ter muito mais paciência com meus alunos. Também aprendi que em determinados locais e com determinadas pessoas fala-se o mínimo possível. Passei a usar óculos diariamente. Li alguns clássicos, discuti com professores e me surpreendi com meus estudos.

Hoje, casada, graduada, com profissão definida, de cabelo com cor natural e novamente longo, estudo francês e me preparo para iniciar um curso técnico em uma área bem diferente da que atuo, e, se tudo sair como planejado, também devo voltar a malhar. Hoje, feliz. Sem falar da viagem que faremos no final do ano...

Resumindo os últimos cinco anos: a Felicidade se fez bem presente na minha vida. Espero que ela se sinta à vontade o suficiente para estar sempre por perto!

terça-feira, junho 15, 2010

O patriotismo futebolístico


Em 2006, um pequeno grupo de brasileiros estava na Alemanha, jogando. Era copa do mundo. O país inteiro se vestiu de verde e amarelo, encontrou um motivo para trabalhar menos, não ter aulas e assim por diante. Foi uma demonstração de patriotismo que dava gosto de ver! As bandeiras penduradas por todos os lugares e o orgulho fluindo nas veias.
Fim da copa. O Brasil perdeu o jogo, e, o povo, o patriotismo.
Agora, em 2010, os "nossos" jogadores estão na África do Sul, novamente competindo na copa do mundo.
E o povo brasileiro? Ah... torcendo pelo Brasil, claro! O mesmo motivo reutilizado para ganhar umas poucas horas para assistir TV pagas pelo patrão...
Curiosamente, desde a última copa já não se viam camisas amarelas pelas ruas...
Patriotismo deveria ser injetado na veia na hora do nascimento, pra ser real e verdadeiro.

sexta-feira, maio 21, 2010

A formatura está chegando!!!

Pessoas queridas!!!
Sei que estive ausente por alguuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuum tempo, mas o dia da formatura está cada vez mais próximo e logo, logo estarei de volta, contando coisas bobas, interessantes, diferentes, felizes, tristes etc, etc!

Não vejo a hora!!!

:)

sábado, maio 02, 2009

Sweet Suellen

Conheci uma menina chamada Suellen há algum tempo atrás. Não há muito tempo, mas o suficiente para tê-la como uma das alunas mais marcantes que já tive. Algumas pessoas simplesmente aparecem na vida de alguns para torná-la mais leve. Não levando em conta o esforço e desempenho dessa criaturinha de olhos gigantescamente azuis, ela cativa por ser ela mesma. Lembro-me muito bem da primeira aula que tivemos, na qual ela, com aqueles cilhos compridos e um largo sorriso, disse que achava sem graça meninas andarem maquiadas. Me senti um pouco contrariada, pois faço o possível para manter o hábito de usar alguma maquiagem que alivie a expressão cansada das poucas horas de sono das quais desfruto, mas entendi sua opinião. Uma menina de 14 anos, com toda aquela vida transbordando em tudo que falava, não tinha mesmo motivos para ter opinião diferente. No entanto, Sweet Suellen sentiu pela primeira vez aquela flechinha envenenada de amor que persegue os adolescentes e num lapso de identidade própria, sujou-se com dois carregados contornos de lápis preto ao redor dos olhos. Ela estava mesmo apaixonada, e como se não bastasse aquelas bolas de gude coloridas a saltar-lhe dos olhos, ela usou de um dos artifícios femininos mais injusto, para tentar chamar a atenção de sua presa. Chamo de um artifício injusto porque nos faz acreditar que podemos mesmo ser diferentes, e não somos. Prova disso é uma boa olhada no espelho após um banho relaxante. Lá estarão as rugas, as olheiras, as marcas de expressão. Elas se fazem desaparecer por um determinado tempo, mas não nos deixam livres. Eis que o estojo de maquiagem de Suellen se vê menos cheio, mas não a vejo mais feliz. Em vão gastou-se o pó e o lápis preto. Foram alguns momentos de ansiedade e esperança de um amor recíproco. Mal sabia ela que já se amavam ambos. E eram amigos. Companheiros. Com a água lavou-se a pintura e com o tempo, a dúvida.
Hoje, Sweet Suellen está com 17 anos e suas bolas de gude azul celeste ainda brilham tanto quanto seu sorriso. Já não se pinta, nem confunde amigos com amantes. Continua, porém, a mesma criaturinha rara e amável, que pensa ser uma criaturinha comum.

sexta-feira, novembro 07, 2008

A modernidade


Enfim, nos encontramos em uma época na qual quase tudo pode ser resolvido por meio de eletrônicos. Às vezes, até mesmo nossa solidão parece facilmente se dissolver no ar enquantro entre um click e outro nos comunicamos com alguém ou simplesmente matamos o tempo bisbilhotando aqui e ali.
Os computadores e celulares trouxeram consigo os benefícios, mas também, os malefícios.
Nos tornamos seres mais individualistas, mas que "amamos" a todos, por isso deixamos nossas páginas repletas de recadinhos, de fotos, e adicionamos como amigos aquele a quem nunca vimos.
Nos preocupamos em desejar a todos "uma boa semana". No entanto, quando passamos por alguém na rua sequer levantamos a cabeça para dizer "oi". Sequer dizemos "obrigado" quando alguém nos faz uma gentileza.
Parabenizamos os aniversariantes com mensagens quase que vazias, que são geralmente respondidas automaticamente.
Fazemos parte de grupos, mas é sozinho que ficamos do outro lado da tela por horas a fio, porque temos muitos amigos com quem trocar mensagens. Ao desligar o computador, o sol já se foi, e todos os que chamamos amigos não foram vistos, ouvidos ou tocados.
Não há necessidade de se preocupar com isso, já que os mais íntimos estarão apenas a um toque de celular distante.
Enquanto isso, nos divertimos batendo fotos e fotos. Fazemos questão da pose básica -antigamente banida pelo desperdício de dinheiro - aquela na qual se fica diante de um espelho e você aparece, magnânimo e poderoso, registrando sozinho sua imagem narcisista.
Assim, temos tudo o que queremos ao nosso redor: a tecnologia e os amigos para todas as horas.
Sinto, porém, por termos perdido o velho hábito de fazer visitas, de sentar para um café, de tomar um sol enquanto se caminha conversando.
A modernidade nos possibiltou um milhão de amigos, mas também, horas de solidão.

segunda-feira, março 24, 2008

A máquina de costura


Faz tempo, muito tempo mesmo que dei meus primeiros pontos. Ainda tímidos, coitadinhos, ensaiavam uma figura simples num pedaço de pano qualquer. Tamanha foi minha insistência e persistência, que ainda sem tanta competência, atrevi-me a lidar com novas agulhas, novas cores, novas linhas.


Bordei alguns pontos diferentes, com os quais não senti muita afinidade e os deixei um pouco de lado. Acresci a delicadeza do crochê a um trabalho e outro, brinquei com agulhas de tricô.


Demorei um bocado, mas dei-me conta finalmente que para um trabalho com mais esmero seria necessário um pouco de sofisticação. Olhei para um lado e outro e do lado de dentro da vitrine estava ela a zigue-zaguear meu coração. Atração fatal e amor para a vida inteira. O manual, porém, muito complexo.


Ainda assim, enfrentei, afinal, não poderia ser tão difícil. “Sorte de principiante”, diriam logo que vissem meu primeiro trabalho. Contudo, com apenas uma bainha mais ou menos reta não há senão panos-de-louça.


E não me dei por satisfeita. Aprendi a trocar as agulhas, a linha da lançadeira, a aplicar o zigue-zague. Investi em matéria-prima: comprei tecidos, moldes, tesoura e fita métrica. Medi, calculei, cortei. Fiz o zigue-zague para o tecido não desfiar, juntei as partes, deixei a tal bainha impecável.


A grande frustração foi quando percebi que que apesar de ter bordado e juntado as peças e decorado o manual de cabo a rabo, eu sequer sabia como fazer a casinha de um botão.
Em vão desfiz-me de teus braços
E teu carinho
Vi um futuro tranqüilo e sozinho
No qual o que ouvi foi só meus próprios passos
E decidi então mudar meu rumo
E dar de vez o nó nesse laço
Hoje, confesso
É impossível seguir sem teu abraço!

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Enfim, acordada

Como todas as palavras, adormeci.
Foram alguns longos meses de sono profundo,
porque já não bastava a luz do dia
para manter-me acordada.
As palavras foram ditas, repetidas e escritas,
todavia, faltou-me muito mais que isso.
Dei-me por conta que não posso ser mais eu,
simplesmente em palavras,
porque a palavra se perde no ar
e eu não quero estar perdida.
Quero estar como as pedras da praia,
que têm suas formas modificadas pela ação da natureza,
mas que continuam lá.
Em uma nova era, serei mais que palavras:
serei eu meus ossos, minha carne, meus desejos e sentidos.
Serei quem você e eu talvez sequer conheçamos.

sexta-feira, agosto 17, 2007

As vozes

Enquanto a voz passiva sucumbia em meu ser
A voz ativa dizia que era tempo de fazer uma análise,
Sintática , morfológica, que fosse ela
Mas enfim, uma análise.
Pensei naquele pronome possessivo,
Na inferioridade, na superioridade,
Na igualdade,
E também, nas flexões,
nos adjetivos que perseguiam
minhas noites inquietas.
E minha voz, reflexiva, não cessava perguntar,
Entre numerais,
Cardinais ou ordinais,
Qual deles deveria, em meu infinitivo, escolher?
Tudo era o demonstrativo
De que tudo estava indefinido.
Neste tempo simples,
Meu retrato é defectivo,
Falta nele uma conjugação,
Ou algumas quem sabe.
Quiçá sou apenas uma radical,
Perdida em uma gramática qualquer,
Esquecida em uma prateleira empoeirada.

quinta-feira, julho 26, 2007

Meu jeito Amélia de ser


Lembranças da infância mostram minha mãe fazendo tudo e o resto barulhento da família zanzando de um lado para o outro, comendo, sujando, brigando, aglomerando. Mesmo entre fios e agulhas de crochê, eu sonhava com uma vida moderninha, de profissional independente, que não precisaria se preocupar com o almoço ou com a casa limpa.

Caminham os anos em passos largos e a cada banho que tomo, deixo mais exposto meu jeito Amélia de ser, enfrentando os olhares de quem acha que ter uma vida mais doméstica é antiquado.

Já pensei assim também e por isso não reprimo. Ao invés disso, ocupo minha cabeça com preocupações financeiras do que e como adquirir o que ainda falta para trazer mais aconchego ao meu habitat.

No supermercado, o tempo é curto para as compras e eu nem sei onde fica a seção fast food. Tenho um caderno de receitas simples, que uso como convite aos amigos.

Além disso, sempre arrumo a cama antes de sair de casa e as toalhas de louça com barrados de crochê são passadas antes do uso.


Ser Amélia me faz muito feliz!

quarta-feira, julho 25, 2007

As canecas de todos os dias


Tornei-me uma colecionadora de canecas. Atraída pela forma, cor e beleza, adquiri mais uma. Conclui que canecas fazem parte de um conjunto essencial de sobrevivência, pois da mesma forma que ofereço um gole de água a um amigo, é a caneca na minha mão que me dará coragem para bater à porta daquele vizinho pedindo um pouco de açúcar para terminar o bolo. Quem sabe ele não troque o açúcar pela fatia de bolo e tome um café comigo na tal caneca. Nos dias menos coloridos, pouparei meus cristais e servirei um vinho na caneca, que em um gole só se esvaziará. Também nela deixarei uma água quente com ervas medicinais para livrar-me de uma enfermidade. Com certeza, se alguém aparecer de supetão, não me importarei em vê-la cheia de cerveja. Enfim, canecas são companheiras perfeitas para todas as horas!

terça-feira, julho 24, 2007

Como a maioria...


Como a maioria, sonhei com um amor que me acompanhasse pela vida toda. Também como a maioria, apaixonei-me loucamente, vivi um amor enquanto ele existiu. Decepcionei e fui igualmente decepcionada. Apaixonei-me outra vez e outra, outra, outra... porém, a intensidade nunca foi a mesma.

Assim, passei a questionar a existência de um amor que sobrevivesse às rugas, aos cabelos brancos, ao mau humor e pouco dinheiro. Como a maioria das pessoas, busquei provas de que tal amor é impossível e como a minoria delas fiquei surpresa ao deparar-me com casais de óculos, com pouco ou sem cabelo algum, gorduras localizadas, pele flácida, de mãos dadas, sorrindo felizes, apenas por terem um ao outro como cúmplices.


Quisera que a minoria dos amores-para-sempre se transformasse, um dia, na maioria!

segunda-feira, julho 23, 2007

Amargamente independente


A garrafa térmica vazia dentro do armário e a cafeteira seca e abandonada no canto da pia da cozinha. Libertei-me mais uma vez. De um lado tornei-me feliz e independente, do outro, independente e amarga.

Entre alguns grandes prazeres da vida, tomar vagarosamente uma xícara de café é um deles. Às vezes, mais de uma, dependendo da companhia. No entanto, café é um veneno para minha voz, da qual uso e abuso, enquanto eu teimar em lecionar. Tratei comigo mesma que me renderia aos apelos do cheiro e do gosto somente aos fins de semana, como uma técnica de relaxamento.

Sobrevivi. Sinto vontade e saudade, mas deixou de ser essencial no momento que eu decidi. Os outros prazerosos venenos da vida continuam e serão mantidos até que eu decida não precisar mais deles.

Triste. Infinitamente triste. Saber que posso ser sozinha, que coloco ou não meu nariz em qualquer lugar, que não devo avisar quando tranco a porta pelo lado de fora, que de manhã eu não tenho que levantar e preparar o café da manhã para alguém.

É o mundo moderno, frio, apavorante.

domingo, julho 22, 2007

Amor moderno


Há quem diga que o amor evolui com o tempo, a partir de uma grande paixão. Vai-se o desejo, fica a necessidade de estar-se perto, mesmo que a voz tenha se alterado, mesmo que a cor dos cabelos já não seja a mesma e o tremor do corpo não seja mais pelo mesmo motivo.

Uma vontade de agradar ao outro, fazê-lo feliz, completo. A visão de uma longa estrada sinuosa percorrida ao mesmo tempo por mais de uma pessoa. Isso é amor.

Todavia, nossa constante capacidade de criação inventou o amor moderno: apaixonante, embora friamente simples de se destruir. Apresentação, entrega, convívio, início e fim dos problemas. São essas as etapas do amor moderno, no qual todos amam muito a todos, mas ninguém ama ninguém realmente.
No primeiro obstáculo a ser vencido, esse amor não passa na prova e pronto, quando na verdade, então deveria ramificar-se de fato e tornar-se cada vez mais forte e profundo.

Compartilhando

O que exatamente se entende do que se ouve e o que se ouve do que se entende. Em que se baseia uma comunicação. Um olhar. Um sorriso. Uma palavra. Um gesto. Um tom de voz. O que realmente se quer dizer é o que nossas bocas murmuram, para que não seja ouvido. Aquilo que se quer dizer de todo o coração é o que na maioria das vezes não é dito, mas sentido.

Lágrimas correm pelos olhos e dos olhos, ofegantes, sem dizer por que vieram ou para onde vão. Aquele sorriso trêmulo, tanto intimidado quanto intimidante, não tem muita certeza do que fazer no momento de sua estréia, então fica ali mesmo, sem um papel certo, entretendo a audiência, que deveria apenas ouvir, mas que vê, que fita os personagens nos olhos e aguarda inquieta por uma ação, um gesto de bravura e coragem. Uma palavra confusa e cambaleante que sai arrastando os pensamentos pelos cabelos, sem dar-lhes ao menos tempo para que se organizem.

Uma orquestra que toca sem um maestro uma sinfonia singularmente inédita, uma melodia de se guardar na memória mas jamais de se transformar em partitura, para que continue sendo única, inigualável.

Comunicar-se é fazer teatro, escolher um palco sem cobrar ingressos e atuar como nunca. Perceber a platéia vibrar a cada minuto. Usar umas palavras ou outras quando preciso, mas quase nunca é. Comunicar-se em palavras é como assistir a filmes dublados: percebe-se a história, entende-se, mas não se compreende, porque não cabe na palavra o que se sente. O que se sente flui nas veias e só jorrando sangue para todos os lados seria possível contaminar a todos.

Compartilharíamos, assim, tudo. Mas em palavras, dividimos apenas, não compartilhamos.